sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Daqueles olhos

Aqueles olhos,
aqueles cinzas-fruta e
castanhos-amor e
pretos-cuidado e
distância(s)-dolorida,
meus olhos azuis-frieza e
inverno-gelado e
lupinos-trágicos nunca mais viram.
A dor é
cadênciada como
o que você lê e
o que você lê é
o que sou.
Sou a saudade e a
dor e o
abandono e a
distância
daqueles olhos.

3 comentários:

Tangerine' disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tangerine' disse...
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Tangerine' disse...

Daquele Algoz.

Daquele Algoz que me roubou outrora a juventude,
só sobrou a certeza do quanto fui burra quanto a minha escolha.

Aquele Algoz de olhos negros e pele cor de amêndoas não maduras,
só me dá a certeza
em suas palavras parcas de cultura
o quanto fui genial,
por não ter-me infectado com tanta miudez de alma.

Naquele Algoz eu vi errôneamente uma luz de afeto protetor
e hoje eu vejo o quanto fui madura por ter de suportar otimistamente
suas asperezas
prazeres inexitentes e dogmas machistas e fastidiantes.

Mas eu pude ver a luz,
em olhos não mais lupinos e que se acha mau por se tornar por vezes em estética,
inquietamente azuis..
E que, irônicamente, mais uma vez, o verdadeiro
algoz
Aquele que nunca colocou um cigarro na boca,
Aquele que alimenta a cria como um cavalo marinho
que recebe elogios por seguir comportamentos de retidão
é o mais cruel
severo
doloso e pungente

Lobo no qual eu tive a infelicidade de me deparar,
nas escolhas de uma cega,
pelos caminhos traiçoeiros da vida.

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